
Na cidade portuguesa de Bragança foi assinado um acordo de princípio sobre o estabelecimento de um Centro Internacional de Investigação Climática e Aplicações para os Países de Língua Portuguesa e África (CIICLAA). A sede deste organismo estará localizada em Cabo Verde. Durante uma semana, discutiram-se as melhores práticas nesta área, com a participação de vários especialistas ligados ao clima e ambiente. |
Dia 19 de Novembro passado, em Bragança, foi estabelecido um Acordo de Princípios de adesão ao centro de investigação sobre o clima e recursos naturais de língua portuguesa. Este pacto formalizou o projecto de investigação aberto a toda a lusofonia e a África. Dele fizeram parte Portugal, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Moçambique.
O II Workshop Internacional sobre Clima e Recursos Naturais foi, assim, palco do passo decisivo para o avanço do projecto em estudo há dois anos, e que juntou na mesma mesa, durante uma semana, os participantes dos vários países lusófonos.
Com este acordo, os seis países em causa são os primeiros a aderirem ao centro, que lhes vai permitir a mobilidade de investigadores, docentes e estudantes para a troca de conhecimento e aplicação de projectos nesta área.
A presidir a cerimónia de abertura esteve o presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), João Sobrinho Teixeira, acompanhado do presidente da Câmara Municipal de Bragança, António Jorge Nunes, do presidente do Instituto de Meteorologia (IM) de Portugal, Adérito Serrão, e da presidente do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica de Cabo Verde (INMG), Ester Brito.
Na sua intervenção, o presidente do IPB salientou a necessidade de os países darem resposta aos desafios da mudança global e aos seus impactos regionais, bem como desenvolverem estratégias de adaptação.
Em cima da mesa esteve também em discussão o quadro da cooperação no seio dos países de língua oficial portuguesa, até pelo facto do tema incluir o estabelecimento de serviços de informação climática, apoiados em projectos de investigação a desenvolver no âmbito do Centro Internacional de Investigação Climática e Aplicações para os Países de Língua Portuguesa e África (CIICLAA).
"Sessões Científicas"
Uma das componentes deste Workshop passou pelas denominadas "Sessões Científicas", que incluíram a apresentação de 31 comunicações orais e 17 posters. Estes distribuíram-se por seis áreas distintas: alterações climáticas, mitigação e adaptação; detecção remota & instrumentação e gestão da informação; clima e segurança alimentar; modelação e eventos extremos; poluição atmosférica, desenvolvimento e saúde; clima e carbono & clima e recursos energéticos.
Das várias apresentações, ressaltou a qualidade científica demonstrativa da capacidade instalada nos países da CPLP, nas várias áreas temáticas atrás referidas. Salientou-se, também, a necessidade de haver uma maior atenção às redes de monitorização de dados ambientais e ao tratamento e arquivo de informação, com controlo de qualidade nas bases de dados. Nesta área, algumas intervenções apontaram a importância de serem estabelecidas estratégias por parte dos institutos públicos responsáveis pelos diversos sectores para a organização de bases de dados integradas (clima, agricultura, hidrologia, solos, ambiente, qualidade do ar) com acesso à Internet e abertura à comunidade científica.
Ministro cabo-verdiano na sessão de encerramento
O encerramento formal do Workshop decorreu a 19 de Novembro e contou com a presença do ministro do Ambiente, Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos de Cabo Verde, José Maria Veiga.
A súmula de actividades foi apresentada por João Côrte-Real, do Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas, da Universidade de Évora, em representação da organização do evento. O responsável abordou a importância dos propósitos e o sucesso que representaram as metas alcançadas durante o certame, designadamente a obtenção do Acordo de Princípios com vista à criação do CIICLAA.
O ministro do Ambiente cabo-verdiano fechou as intervenções com detalhadas referências ao contexto socioeconómico e político, aos constrangimentos e às oportunidades para o desenvolvimento de Cabo Verde enquanto país simultaneamente exemplar e singular na CPLP. A importância da investigação científica sobre o Clima e Recursos Naturais, e o papel da cooperação entre países do espaço lusófono foram apontadas pelo governante como centrais no apoio ao desenvolvimento desses países. A sede do CIICLAA irá situar-se em Cabo Verde.
De referir que, de forma a aumentar a divulgação deste evento, realizaram-se quatro palestras virtuais que serão colocadas no repositório do IPB, no iTunes University. Será, assim, o primeiro evento português colocado nesta plataforma mundial.
O II Workshop Internacional sobre Clima e Recursos Naturais, em Bragança, foi um passo decisivo para o avanço do projecto em estudo há dois anos, sendo que juntou na mesma mesa, durante uma semana, participantes de vários países lusófonos.
A súmula de actividades foi apresentada por João Côrte-Real, do Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas, da Universidade de Évora, que enalteceu a importância dos propósitos e o sucesso que representaram as metas alcançadas durante o certame, designadamente a obtenção do Acordo de Princípios com vista à criação do CIICLAA.
Os objectivos "futuristas" do CIICLAA
Uma das grandes metas do CIICLAA passa por fomentar a investigação aplicada na área do clima e ambiente, em articulação com instituições de investigação e entidades a operar naqueles domínios. Têm como missão contribuir para o desenvolvimento sustentável dos países da CPLP e África, designadamente através de serviços de informação climática. Existirá uma ligação estreita entre produtores e utilizadores, respeitando as competências próprias e missão dos seus membros, enquadrando a sua acção com as orientações estratégicas da CPLP e da Agência CRIA.
O que fará o CIICLAA?
- Promoverá estratégias de resposta aos problemas associados a catástrofes naturais, variabilidade e/ou alterações climáticas e seus impactos;
- Criará competências para o desenvolvimento de cenários do clima futuro, bem como para a sustentação científica de estratégias de mitigação/adaptação;
- Promoverá linhas de investigação específicas direccionadas para as necessidades do sector produtivo;
- Apoiará a formação e capacitação de quadros técnicos e científicos, e de docentes e investigadores em todos os domínios da sua actuação, através de programas específicos.

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